segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sem forma

Carácter, honra e cicatrizes. Lesões emocionais. Dor suportada independentemente das agressões sofridas. O poder de se manter em pé com as pernas partidas. A impossibilidade conquistada de agarrar o mal pelos cornos, mesmo com as mãos queimadas. 

Vem, aproxima-te do meu descontentamento. Sangro os lábios de tanto os morder. As palavras são demasiado fortes para conter sem pagar com o meu sangue. Agride-me o marasmo. Acorda-me a consciência com bofetadas de liberdade. Mostra-me o mundo dando forma ao meu ímpeto de lutar. Aplaca os meus anseios. Dá-lhes um nome. Dá-lhes uma causa. Dá-lhes justiça. Eu, dou-te a minha lealdade. O meu suor. Dou-te o sorriso da gratidão e a força do meu braço. Leva-me para a guerra. Ensina-me a violentar a violência e a abater a tiro as balas. Ensina-me a criar para esquecer como destruir. 

Deixem-me! Deixem-me fluir em prosa, em uivos, em acções, em silêncio… Deixem-me erguer! Correr contra o vento. Fugir do visco, da morte e do barro que tenho incrustado nas botas. As botas não servem para esmagar. Servem para percorrer o caminho. Ensina-me a aprender. Deixa-me morrer... vivendo. 

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